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12 de dezembro de 2014

Teste de avaliação sumativa – Português 9.º ano – SOLUÇÕES

GRUPO I – LEITURA E ESCRITA (50 pontos)


1.1. – A história passa-se numa noite silenciosa e escura («noite de silêncio e escuridão»), na altura em que as pessoas do palácio se deitavam («indo ela adormecer»).

1.2. – A ação acontece sobretudo no interior do «palácio»: na «câmara» onde estão os berços das crianças a dormir («berço de verga», «berço de marfim») e noutras áreas – «lajes», «ao fundo da galeria». Todavia, há acontecimentos que se passam no exterior: «entre o palácio e a cidadela», «longe, à entrada dos vergéis reais», «na terra areada, entre os jasmineiros».

3. – [Várias respostas possíveis, desde que bem justificadas]. Neste excerto, à exceção da aia, que é a personagem principal, as outras personagens são secundárias: o tio, a rainha, o príncipe, o escravo e «o capitão das guardas».
A aia é protagonista porque está presente do princípio até ao fim da ação; é ela quem salva o príncipe e, desse modo, o reino; é ela quem revela à rainha o salvamento.
O tio também surge como agente [neste excerto ele tem mais relevo, poderia defender-se que também é personagem principal] – ele é o raptor e o vencido pelas guardas do palácio –, mas nem sequer é nomeado.
As crianças estão, no conto, marcadas pela sua posição social: uma dorme em berço de ouro entre brocados, a outra, num berço pobre e de verga. O príncipezinho não intervém diretamente na ação, mas é o motivo pelo qual o palácio é invadido e acontece o rapto; enquanto a personagem escravinho existe para salvar a vida do príncipe.

3.1. Expressões que caraterizam diretamente a Aia: “despida”, “embrulhada”, “imóvel”, “calada”, “muito lenta”, “muito pálida”.
3.2. A Aia está caraterizada desse modo porque, por um lado, ela foi surpreendida à noite quando se preparava para deitar-se – e portanto, não teve tempo de se arranjar [“despida”, “embrulhada”], por outro lado, ela agiu silenciosamente e de modo encoberto [“imóvel”]. As três últimas expressões revelam o seu comportamento após o seu sacrifício: embora corajosa, ela sofrera com a troca das crianças e a violência daquela noite.

4. Temendo pela vida do principezinho, a Aia trocou as crianças, colocando o príncipe no berço de verga e o seu filho no berço de marfim.

5. A atitude da Aia – a troca das crianças – «sem uma vacilação, uma dúvida», demonstra a coragem e o altruísmo de uma mulher que sacrificou o filho para salvar o reino. Se a total dedicação da Aia ao filho, ao príncipe e aos reis prova a sua grandeza  de  alma, a qual não  pode ter nenhuma   recompensa material, do mesmo modo o seu sacrifício – apaixonado, leal, decidido – não poderá ser pago por nenhum tesouro, que tanta cobiça desperta no ser humano. É a sua crença religiosa de que a morte não é o fim da vida, mas o seu prolongamento numa outra dimensão, que nos permite compreender a sua atitude ao sacrificar o próprio filho e ao escolher um punhal para pôr termo à sua vida. O seu suicídio só é compreensível porque sabemos que acredita ser essa a saída para se juntar ao seu filho.

6. A frase «A mãe caiu sobre o berço, com um suspiro, como cai um corpo morto.» significa que, após o choque emocional provocado por pensar que o seu filho tinha sido raptado, a rainha perde as forças e quase desmaia.


7. Resposta livre. 7.1. – [do manual, p. 35:] “Luta pelo poder” – resume um dos temas centrais do conto: o conflito de natureza política entre duas fações rivais. / “A mulher que sacrificou o filho para salvar o reino” – destaca a coragem e abnegação de uma mãe que põe os interesses dos seus senhores e do reino à frente de tudo. / “O principezinho” – Destaca a importância de uma vida que simboliza a vida e o bem-estar de um povo.

Teste de avaliação sumativo - 9.º ano - conto "A Aia"

GRUPO I – LEITURA E ESCRITA (50 pontos)

Lê o texto e depois responde às questões de forma completa.

          Ora uma noite, noite de silêncio e de escuridão, indo ela a adormecer, já despida, no seu catre[1], entre os seus dois meninos, adivinhou, mais que sentiu, um curto rumor de ferro e de briga, longe, à entrada dos vergéis[2] reais. Embrulhada à pressa num pano, atirando os cabelos para trás, escutou ansiosamente. Na terra areada, entre os jasmineiros, corriam passos pesados e rudes. Depois houve um gemido, um corpo tombando molemente, sobre lajes, como um fardo. Descerrou violentamente a cortina. E além, ao fundo da galeria, avistou homens, um clarão de lanternas, brilhos de armas... Num relance tudo compreendeu: o palácio surpreendido, o bastardo cruel vindo roubar, matar o seu príncipe! Então, rapidamente, sem uma vacilação, uma dúvida, arrebatou o príncipe do seu berço de marfim, atirou-o para o pobre berço de verga, e, tirando o seu filho do berço servil, entre beijos desesperados, deitou-o no berço real que cobriu com um brocado.
          Bruscamente um homem enorme, de face flamejante, com um manto negro sobre a cota de malha, surgiu à porta da câmara, entre outros, que erguiam lanternas. Olhou, correu o berço de marfim onde os brocados luziam, arrancou a criança como se arranca uma bolsa de oiro, e, abafando os seus gritos no manto, abalou furiosamente.
          O príncipe dormia no seu novo berço. A ama ficara imóvel no silêncio e na treva.
          Mas brados de alarme atroaram, de repente, o palácio. Pelas janelas perpassou o longo flamejar das tochas. Os pátios ressoavam com o bater das armas. E desgrenhada, quase nua, a rainha invadiu a câmara, entre as aias, gritando pelo seu filho! Ao avistar o berço de marfim, com as roupas desmanchadas, vazio, caiu sobre as lajes num choro, despedaçada. Então, calada, muito lenta, muito pálida, a ama descobriu o pobre berço de verga... O príncipe lá estava quieto, adormecido, num sonho que o fazia sorrir, lhe iluminava toda a face entre os seus cabelos de oiro. A mãe caiu sobre o berço, com um suspiro, como cai um corpo morto.
          E nesse instante um novo clamor abalou a galeria de mármore. Era o capitão das guardas, a sua gente fiel. Nos seus clamores havia, porém, mais tristeza que triunfo. O bastardo morrera! Colhido, ao fugir, entre o palácio e a cidadela, esmagado pela forte legião de archeiros, sucumbira, ele e vinte da sua horda. O seu corpo lá ficara, com flechas no flanco, numa poça de sangue. Mas, ai! dor sem nome! O corpozinho tenro do príncipe lá ficara também envolto num manto, já frio, roxo ainda das mãos ferozes que o tinham esganado!... Assim tumultuosamente lançavam a nova[3] cruel os homens de armas – quando a rainha, deslumbrada[4], com lágrimas entre risos, ergueu nos braços, para lho mostrar, o príncipe que despertara.                              (Eça de Queirós, “A Aia”)

Questões

1.     Com base no excerto do conto, indica:
1.1.  (por palavras tuas) quando se passa esta história.
1.2.  (transcrevendo expressões do texto) o espaço em que se passa a ação.

2.     Identifica duas personagens e diz qual o seu relevo na ação.

3.     A personagem Aia está caraterizada no texto, de forma direta.
3.1.  Transcreve as expressões que a permitem caracterizar.                     
3.2.  Explica essa caraterização da personagem, agora por palavras tuas.       

4.     Perante a previsão de invasão do palácio, que medidas foram tomadas pela Aia? 

5.     Com base na leitura global do conto, comenta a atitude da Aia.          

6.     Explica, por palavras tuas, o sentido da frase:
«A mãe caiu sobre o berço, com um suspiro, como cai um corpo morto.»

7.     Todos os textos devem ter um título que os identifique.
7.1.  um título ao texto.                                                                                 
7.2.  Justifica a tua resposta. 

GRUPO II – CONHECIMENTO EXPLÍCITO DA LÍNGUA (20 pontos)

1. Diz se são verdadeiras (V) ou falsas (F) as afirmações seguintes:

1.1.          Os nomes (substantivos) designam seres (pessoas, animais ou objetos) ou qualidades e estados. __
1.2.          Os nomes variam em género e número, mas não apresentam variação em grau. __
1.3.          Alguns advérbios, tal como os adjetivos, também apresentam flexão em grau. __
1.4.          Chama-se locução adverbial à sequência de duas ou mais palavras com o comportamento ou a função de um advérbio. __
1.5.          O “advérbio de predicado” não faz parte do grupo verbal, pois não lhe serve de modificador nem de complemento oblíquo. __

2. Faz corresponder a cada um dos elementos da coluna A um elemento da coluna B, de modo a obter a firmações verdadeiras. Escreve, ao lado do número da frase, a alínea correspondente.
A

B

1.     Advérbio de predicado

a)     Apresenta um valor quantitativo e de intensificação (grau)

2.     Advérbio de frase

b)    Expressa uma negação da verdade do conteúdo de uma frase.

3.     Advérbio conectivo

c)     Faz parte do grupo verbal como seu modificador ou como complemento oblíquo.

4.     Advérbio de negação

d)    Modifica o conteúdo da frase, o que é dito.

5.     Advérbio de afirmação

e)     Realçam o caráter de abrangência e integração ou de eliminação e exceção do constituinte que modificam, a sua participação ou não num determinado conjunto.

6.     Advérbio de quantidade e grau

f)      Surge numa construção interrogativa a identificar o constituinte interrogado.

7.     Advérbios de inclusão e exclusão

g)     Tem uma função primária de conexão entre elementos frásicos.

8.     Advérbio interrogativo

h)    Usado em resposta a interrogativas totais ou para reforçar uma afirmação.


3. Sublinha os advérbios nas frases e transcreve-os para a respetiva coluna da tabela, de acordo com o valor semântico que expressam.

3.1. Ali está um livro muito interessante.
3.2. Ele disse que sim ao filho.
3.3. Até o José comeu demais.
3.4. Naquela casa não havia nada exceto livros.
3.5. Amanhã, o jantar é aqui.
3.6. Depressa e bem – não há quem [o faça].
3.7. Eles chegaram cedo e saíram tarde.

noção transmitida
advérbios
negação
1.      
afirmação
2.      
quantidade e grau
3.      
inclusão
4.      
exclusão
5.      
tempo
6.      
lugar
7.      
modo
8.      

4. Atenta no seguinte exemplo:
 O jogador reagiu com fúria ao ataque adversário.
O jogador reagiu furiosamente ao ataque adversário.

Substitui as expressões por um advérbio de sentido equivalente, tal como no exemplo.

4.1. O veterinário trata os animais com carinho.
________________________________________________________________
4.2. Ele ouviu a explicação com atenção.
________________________________________________________________
4.3. Ela adoece com frequência.
________________________________________________________________
4.4. A Maria adoeceu de repente.
________________________________________________________________

5. Expande as frases, acrescentando advérbios que expressam os valores semânticos entre parênteses.

5.1. Os rapazes correram no corta-mato. (negação)
________________________________________________________________

5.2. A maria faltou ao teste. (inclusão).
________________________________________________________________

GRUPO III – EXPRESSÃO ESCRITA (30 pontos)

Todos vivemos momentos que, por razões várias, se tornam inesquecíveis.
Elabora um texto (entre 180 e 240 palavras) em que recordes um momento, uma situação ou um tempo, que para ti tenha sido “mágico”.


Orientações:
Para efeitos de contagem, considera-se uma palavra qualquer sequência delimitada por espaços em branco.
Um desvio dos limites de extensão requeridos implica uma desvalorização parcial (até dois pontos); um texto com extensão inferior a 60 palavras é classificado com 0 (zero) pontos.


[1] - cama modesta.
[2] - pomares.
[3] - notícia.
[4] - maravilhada.