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26 de abril de 2019

O ano da morte de Ricardo Reis – Resumo dos capítulos




Cap. 1

Ao fim de dezasseis anos no Brasil, Ricardo Reis desembarca no cais de Alcântara, em Lisboa (29 de dez. 1935), vindo na embarcação “Highland Brigade”. Apanha um táxi e hospeda-se no Hotel Bragança, no quarto n.º 202.
Na sala de jantar , vê, pela primeira vez, Marcenda, figura que lhe desperta interesse por ter a mão esquerda paralisada.

Cap. 2

Ricardo Reis lê jornais para se inteirar das notícias sobre a morte e o funeral de Fernando Pessoa (30 de nov. 1935). e, posteriormente, visita o túmulo do poeta no Cemitério dos Prazeres.
Ao jantar, no Hotel Bragança, desce mais cedo para ver Marcenda. O gerente Salvador conta-lhe a história do pai (Dr. Sampaio, notário) e da filha (órfã de mãe, braço todo paralisado), que vêm a Lisboa “todos os meses três dias”.
Reis contacta pela primeira vez com Lídia, criada do hotel, cujo nome o deixa surpreso.

Cap. 3

Ricardo Reis presencia o “bodo do Século”, onde foram distribuídos 10 escudos, agasalhos, brinquedos e livros aos pobres.
Na noite da passagem de ano, depois de regressar da baixa, onde viu bater a meia noite no relógio da estação central do Rossio, Reis depara-se no quarto com a visita de Fernando Pessoa, que o informa de que tem ainda oito meses para circular à vontade no mundo dos vivos. Despedem-se com promessas de futuros encontros.
Nota: 1.º encontro com FP.

Cap. 4

Ricardo Reis sente-se atraído fisicamente por Lídia: põe-lhe a mão no braço e diz-lhe que a acha bonita. No entanto, estes atos fazem-no sentir-se ridículo.
Fernando Pessoa volta a encontrar-se com Ricardo Reis, na esquina da rua de Santa Justa, e os dois conversam sobre a multiplicidade de “eus” e a morte. Critica-se sarcasticamente (narrador omnisciente?) a miséria dos pobres e a hipocrisia dos governantes.

Ricardo Reis envolve-se com a criada, que entra no seu quarto, durante a noite, deitando-se com ele.
Nota: 2.º encontro com FP.

Cap. 5

O Dr. Sampaio e a filha Marcenda voltam a estar hospedados no Hotel Bragança, nos quartos 204 e 205, e tencionam ir ver a peça ”Tá Mar” de Alfredo Cortez. Ricardo Reis vai ao Teatro D. Maria com a intenção de travar conhecimento com o pai e a filha.
À noite, recebe a visita de Fernando Pessoa no seu quarto e os dois falam sobre a Lídia das odes e a Lídia criada do hotel (sublime / prazeres carnais) e sobre o fingimento literário.
Lídia aparece e volta a dormir com Ricardo Reis.
Nota: 3.º encontro com FP.

Cap. 6

Ricardo Reis e Marcenda conversam na sala de estar do hotel sobre a sua debilidade física e a jovem pede-lhe a sua opinião profissional.
Nessa noite, Reis janta com os Sampaio e discutem sobre política.
Lídia não o visita porque está com ciúmes.

Cap. 7

Ricardo Reis compra e lê Conspiração, obra que lhe foi recomendada pelo doutor Sampaio, nacionalista convicto, e que relata a lealdade da jovem Marília ao sistema. Contexto do resto da Europa.
Lídia volta a dormir com Ricardo Reis ao fim de cinco dias.

RR encontra Fernando Pessoa num café do bairro e falam sobre os acontecimentos políticos em Portugal e Espanha (a vitória da esquerda em Espanha) e o regresso de Ricardo Reis a Portugal (contraste entre o Carnaval do Brasil e o corso na Av. Da Liberdade).
Reis persegue apressadamente uma “figura vestida de preto”.
Nota: 4.º encontro com FP.

Cap. 8

Ricardo Reis fica doente, com febre, e Lídia dispensa-lhe todos os cuidados.
Dias depois, ele recebe uma intimação para comparecer na Polícia de Vigilância e Defesa do Estado (PVDE), o que desperta a desconfiança do pessoal e dos hóspedes do hotel.
Lídia, que tem um meio-irmão que é oficial da Marinha de Guerra e não gosta do governo salazarista, fica preocupada e tenta prevenir Reis das práticas (interrogatórios, torturas e castigos) da PVDE.
Quando Reis desce para o jantar, o Dr. Sampaio ignora-o, desconfiado, mas mais tarde Reis expressa-lhe a sua opinião sobre o livro recomendado, Conspiração, defendendo o regime ditatorial. Tal posição confunde Sampaio.
Marcenda marca um encontro (colocando um bilhete por debaixo da porta), para o dia seguinte, com Ricardo Reis no Alto de Santa Catarina. Antes da sua chegada, Reis conversa com Fernando Pessoa que o questiona sobre a sua relação com Marcenda. Durante o encontro, a filha do dr. Sampaio pede a Reis que lhe escreva sobre o resultado da intimidação pela PVDE.
Nota: 5.º encontro com FP.

Cap. 9

RR vai à PVDE, onde é interrogado num clima de suspeição. Regressado ao hotel, escreve a carta prometida Marcenda, tranquilizando-a.
À noite, quando dormem juntos, informa Lídia de que vai deixar o Bragança, e esta prontifica-se a ir visitá-lo nos seus dias de folga.
Ricardo Reis aluga uma casa no Alto de Santa Catarina, defronte à estátua do Adamastor.

Cap. 10

Reis escreve uma segunda carta a Marcenda, agora para a informar da sua nova morada. Dias depois deixa o hotel.
Crítica à presença alemã na capital portuguesa (”excursionistas” e membros da Frente Alemã de Trabalho).
Na sua primeira noite na casa alugada, recebe a visita de Fernando Pessoa e falam sobre a solidão de ambos.
Nota: 6.º encontro com FP.

Cap. 11

Lídia visita RR para verificar se está bem instalado na sua nova casa e ele acaba por beijá-la na boca.

Dias depois, recebe a visita de Marcenda, acabando os dois por se beijar e por trocar declarações amorosas. Ela confidencia que o pai que que ela vá a Fátima (provavelmente preparando-a para deixar de ir a Lisboa e por termo ao seu relacionamento com RR).

Cap. 12

Lídia prontifica-se a cuidar da limpeza da nova casa e os dois acabam por se envolver fisicamente.
RR escreve nova carta a Marcenda.
Reis procura emprego, indo substituir temporariamente um colega especialista em cardiologia e pneumologia. Esta situação leva-o a escrever novamente a Marcenda.
Sentado num banco do Alto de Santa Catarina, Reis concentra-se no “Jornal” para se inteirar dos acontecimentos (contexto histórico). Quando regressa a casa, recebe uma carta de Marcenda,
em Coimbra, prometendo que o visitará no consultório.

Cap. 13

RR encontra-se com Fernando Pessoa junto à estátua do Adamastor e conversam acerca das relações amorosas de Reis e sobre a vida e a morte. Continuam a sua conversa a caminho de casa e , ao lá chegar, RR depara-se com Victor da PVDE. Tal leva-os a falar da ida de Reis à polícia, de Salazar e de Hitler. Reis vai buscar os jornais para ler as notícias a Fernando Pessoa, que já não sabe ler.
Lídia, durante as limpezas, é seduzida por Reis. Todavia, revelando-se impotente, o médico repele-a, o que deixa a moça triste e sem perceber o que se passava.
Marcenda aparece no consultório e Ricardo propõe que se casem, mas ela recusa, por considerar que não seriam felizes.
Nota: 7.º encontro com FP.

Cap. 14 [Ida, a única, a Fátima]

Reis recebe uma carta de Marcenda pondo termo ao relacionamento e pedindo-lhe para nunca mais lhe escrever. Informa-o também de que irá a Fátima.
Reis lê o “Jornal”.
Reis volta a The God of the Labyrinth: o tabuleiro de xadrez mostra um homem morto, Addis-Abeba. Este corresponde a Ricardo Reis, i.e., trata-se de uma prolepse, pois Reis morre no final do romance.
Restabelece-se a relação de Reis com Lídia, mas o médico vai a Fátima com o intuito de ver Marcenda, não a encontrando.

Cap. 15

RR toma conhecimento de que o colega que está a substituir vai retomar o seu lugar no consultório. Na última consulta, Reis recebe 6 doentes.
Reis reflete sobre a sua estadia e eventual partida para o Brasil, sobre o tempo, Pessoa, Marcenda e Lídia.
Quando Lídia regressa, conversa com ela sobre as notícias do jornal “O Século”.
Fernando Pessoa visita novamente RR e os dois falam sobre o facto de Reis continuar a ser vigiado por Victor, as relações amorosas de ambos e o destino.
Reis assiste a uma simulação de um ataque aéreo-químico; conversa sobre este exercício com Lídia e ainda sobre a fuga do preso Manuel Guedes.
Nota: 8.º encontro com FP.

Cap. 16

Reflexão sobre Os Lusíadas e Mensagem: FPessoa não dedica, em parte alguma, uma poema a Camões e tem remorsos.
RR escreve uma ode a Marcenda.

Lídia informa-o de que está grávida e, serena, que não tenciona abortar. Ele reage enervado e alheado.
Fernando Pessoa faz nova visita a Reis e falam sobre política (a perspetiva do regime em relação a várias personalidades e o obscurantismo do mesmo) e a gravidez de Lídia (RR confessa-lhe que vai ser pai e que ainda não decidiu se perfilhará a criança).
Nota: 9.º encontro com FP.

Cap. 17

Realização do filme de Lopes Ribeiro acerca do enredo do livro Conspiração.
Ricardo Reis vai pela Calçada da Estrela até ao Cemitério dos Prazeres para se encontrar com Fernando Pessoa e conversam sobre o golpe militar de Espanha.
Nota: 10.º encontro com FP.

Cap. 18

Massacre na Praça de Touros em Badajoz. Esta ocorrência irá contrastar com um evento em Lisboa: RR vai assistir ao comício em defesa do Estado Novo e de Salazar, na Praça de Touros do Campo Pequeno. 
Enquanto lava a loiça na cozinha de RR, Lídia chora e questiona-se sobre a sua situação de criada amante do médico Ricardo Reis.
Reis envia para Marcenda a ode que lhe dedicou.

Cap. 19

Lídia chega a casa de Ricardo Reis, pesarosa, e revela-lhe que o seu irmão e outros marinheiros se vão revoltar, que a Marinha planeia uma conspiração, a partir de Angra do Heroísmo.
Quando Reis sai para almoçar, observa os barcos no Tejo e avista o balão nazi que sobrevoa Lisboa, o Hindenburgo ostentando a cruz suástica.
 No dia seguinte, após a revolta dos marinheiros, Ricardo Reis assiste ao bombardeamento do Afonso de Albuquerque, barco onde seguia o irmão de Lídia, e do Dão. O episódio terminou com a morte de 23 marinheiros, sendo um deles o irmão de Lídia.
Fernando Pessoa visita pela última vez Ricardo Reis na sua casa para dele se despedir e este decide acompanhá-lo na morte.
Nota: 11.º encontro com FP.




Cais das Colunas, no rio Tejo, Lisboa.Fonte: Portugal Glorioso.


25 de abril de 2019

Lista de toda a obra de José Saramago



A obra

  • 1947 – Terra do Pecado. – romance. – Lisboa: Minerva. / Porto: Porto Ed., 2015.
  • 1966 – Os poemas possíveis. – poesia. – Lisboa: Portugália. / 2.ª ed., rev. emendada, Lisboa: caminho, 1982. / Porto: Porto Ed., 2014.
  • 1970 – Provavelmente alegria. – poesia. – Lisboa: Livros Horizonte. / 2.ª ed., rev. emendada, Lisboa: caminho, 1985. / Porto: Porto Ed., 2014.
  • 1971 – Deste mundo e do outro. – crónicas. – Lisboa: Arcádia. / 8.ª ed., Alfragide: Caminho, imp. 2010.
  • 1973 – A bagagem do viajante. – crónicas. – Lisboa: Futura. / Porto: Porto Ed., 2018.
  • 1974 – As opiniões que o DL teve. – crónicas [no Diário de Lisboa]. – Lisboa: Seara Nova.
  • 1975 – O ano de 1993. – poesia. – Lisboa: Futura. / 3.ª ed., Lisboa: Caminho, imp. 2007.
  • 1976 – Manual de pintura e caligrafia. – romance. – Lisboa: Moraes. / Porto: Porto Ed., 2014.
  • 1976 – Os apontamentos. – crónicas. – Lisboa: Seara Nova. / Porto: Porto Ed., 2014.
  • 1978 – Objecto quase. – contos. – Lisboa: Moraes. / 6.ª ed., Lisboa: Caminho, 1984.
  • 1979 – Poética dos cinco sentidos: la dame à la licorne. – crónica, em obra coletiva. – Lisboa: Bertrand.
  • 1979 – A noite. – teatro. Lisboa: Caminho. / Porto: Porto Ed., 2014.
  • 1980 – Levantado do chão. – romance. – Lisboa: Caminho. / Porto: Porto Ed., 2014.
  • 1980 – Que farei com este livro?. – teatro. – Lisboa: Caminho. / Porto: Porto Ed., 2015.
  • 1981 – Viagem a Portugal. – livro de viagens. – Lisboa: Círculo de Leitores. – ed. cartonada; il. com fotografias. /  Lisboa: Caminho, 1984. / 14.ª ed., Lisboa: Caminho, 2003. –    – Lisboa: Círculo de Leitores, 1999. – ed. brochada, não ilustrada. / Lisboa: Caminho, 1990. / 24.ª ed., Lisboa: caminho, 2011. / 25.ª ed., Porto: Porto Ed. – 1.ª ed. nesta Ed.
  • 1982 – Memorial do convento. – romance. – Lisboa: Caminho. / Porto: Porto Ed., 2014. / Reimpr., 2015.
  • 1984 – O ano da morte de Ricardo Reis. – romance. – Lisboa: Caminho. / Porto: Porto Ed., 2016.
  • 1986 – A jangada de pedra. – romance. – Lisboa: Caminho. / 16.ª ed., 2010. / Porto: Porto Ed., 2015.
  • 1987 – A segunda vida de Francisco de Assis. – teatro. – Lisboa: Caminho. / Porto: Porto Ed., 2018.
  • 1989 – História do Cerco de Lisboa. – romance. – Lisboa: Caminho. / Porto: Porto Ed., 2018.
  • 1991 – O Evangelho segundo Jesus Cristo. – romance. – Lisboa: Caminho. / Porto: Porto Ed., 2016.
  • 1993 – In nomine Dei. – teatro. – Lisboa: Caminho. / Porto: Porto Ed., 2018.
  • 1994 – Cadernos de Lanzarote I. – diário. – Lisboa: Caminho. / Porto: Porto Ed., 2016.
  • 1995 – Cadernos de Lanzarote II. – diário. – Lisboa: Caminho. / Porto: Porto Ed., 2016.
  • 1995 – Ensaio sobre a cegueira. – romance. – Lisboa: Caminho. / Porto: Porto Ed., 2016.
  • 1996 – Moby Dick em Lisboa. – crónicas. – Seleção de crónicas dos livros Deste mundo e do outro (1971) e A bagagem do viajante (1973). – Lisboa: Pavilhão de Portugal Expo'98 : Assírio & Alvim.
  • 1998 – Cadernos de Lanzarote III. – diário. – Lisboa: Caminho. / Porto: Porto Ed., 2016.
  • 1998 – Cadernos de Lanzarote IV. – diário. – Lisboa: Caminho. / Porto: Porto Ed., 2016.
  • 1997 – Todos os nomes. – romance.
  • 1997 – O conto da ilha desconhecida. – conto. – Des. Pedro Cabrita Reis. Lisboa: Pavilhão de Portugal - Expo'98 : Assírio & Alvim. /  Lisboa : Caminho, 1999. – Il. Bartolomeu dos Santos. / Porto: Porto Ed., 2015. –   il. Fátima Ramos. / 17.ª ed., 2018.
  • 1998 – Cadernos de Lanzarote V. – diário. – Lisboa: Caminho. / Porto: Porto Ed., 2014. / Alfragide: Leya, 2016. /  Lisboa: Guerra & Paz, 2017.
  • 1999 – Discursos de Estocolmo. – Lisboa: Caminho.
  • 1999 – Folhas políticas: 1976-1998. – crónicas. – Lisboa: Caminho.
  • 2000 – A caverna. – romance. – Lisboa: Caminho. / Porto: Porto Ed., 2014.
  • 2000 – Aquí soy Zapatista: Saramago em Bellas Artes.
  • 2001 – A maior flor do mundo. – história infanto-juvenil.
  • 2002 – Andrea Mantegna: un'etica, un'estetica.
  • 2002 – O homem duplicado. – romance.
  • 2004 – Ensaio sobre a lucidez. – romance.
  • 2005 –  As intermitências da morte. – romance.
  • 2005 – Don Giovanni ou o dissoluto absolvido. – teatro.
  • 2006As pequenas memórias. – autobiografia.
  • 2007El nombre y la cosa. – ensaio.
  • 2008A viagem do elefante. – romance.
  • 2009Caim. – romance.
  • 2009O caderno. – textos escritos para o blog, set. 2008 - mar. 2009.
  • 2009O caderno 2. – textos escritos para o blog, mar. - nov. 2009.
  • 2010 – José Saramago nas suas palavras. – Catálogo de reflexões pessoais, literárias e políticas. Elaborado a partir de declarações do autor recolhidas na imprensa escrita. – Ed. e sel. Fernando Gómez Aguilera.
  • 2011 – Clarabóia. – romance.
  • 2011 – O silêncio da água. – fábula infantil, autobiográfica. – Il. Manuel Estrada. Alfragide: Caminho.
  • 2013 – A estátua e a pedra: o autor explica-se. – Ed. bilingue em português e espanhol. Rev. Fundação José Saramago. Lisboa: Fundação José Saramago.
  • 2014 – Alabardas, alabardas, espingardas, espingardas. – As últimas páginas escritas por José Saramago. – Com ensaios de Roberto Saviano, Fernando Gómez Aguilera e Luiz Eduardo Soares; il. Günter Grass. Porto: Porto Ed. 
  • 2017 – Com o mar por meio: uma amizade em cartas / José Saramago e Jorge Amado. – Correspondência. – Sel., org. e notas Paloma Jorge Amado, Bete Capinan, Ricardo Viel. [S.l.] : Companhia das Letras.
  • 2018 – Último caderno de Lanzarote. – crónicas.Livro de crónicas escrito em 1998, ano de atribuição do Prémio Nobel de Literatura, e publicado postumamente em 2018.

5 de abril de 2019

O Ano da Morte de Ricardo Reis - guião de estudo

"Aqui o mar acaba e a terra principia e Aqui, onde o mar se acabou e a terra esperava."

1. O autor

2. A obra (lista de todos os livros de José Saramago)

3. O livro em estudo:



Alguns estudos acerca da obra







O Ano da Morte de Ricardo Reis
por Carlos Reis



Organização do livro: 

1. Nota Prévia  2. Contextualização histórico-literária [Destacam-se "elementos estruturantes: ação, tempo e espaço".]  3. Representações do século XX ["O espaço da cidade", "O tempo histórico", "Os acontecimentos políticos".]  4. Deambulação geográfica e viagem literária  5. Representações do amor ["Representações da temática amorosa", através das "personagens" e das suas "relações".]  6. Intertextualidade [Relações entre a obra saramaguiana e as obras de Camões, Cesário Verde e Fernando Pessoa.]  7. Linguagem, estilo e estrutura [A estrutura romanesca baseada nas noções de personagem e ação, tempo e espaço; "O tom oralizante e a pontuação"; "Recursos expressivos".]  8. Dicionário de personagens  9. Textos de consulta  10. Obras consultadas.
Como diz o ensaista, o livro não "procura […] substituir aquela leitura por resumos ou por descrições esquemáticas”, antes proporcionar "uma aventura cultural e uma outra aprendizagem, certamente não menos proveitosa, que é a da descoberta, a da imaginação e a do diálogo com os outros."


O conto da Ilha Desconhecida, de José Saramago






"Um homem foi bater à porta do rei e disse-lhe, Dá-me um barco. Situada num tempo e num espaço indeterminados, a história do homem que queria um barco para ir à procura da ilha desconhecida promete ser a história de todos os homens que lutam contra as convenções em busca dos seus sonhos e de si próprios." (da sinopse)






José Saramago acabou de escrever O Conto da Ilha Desconhecida a 27 de março de 1997,  ano da sua primeira edição, facto que deixou registado nos Cadernos de Lanzarote, no volume V:

          Terminei hoje «O conto da Ilha Desconhecida», com o que deverá ficar mais ou menos satisfeito (espero bem que sim) o pedido de Simoneta Luz Afonso, que queria que eu lhe escrevesse algo sobre o tema «Mitos», destinado ao Pavilhão de Portugal da Expo 98, de que ela é a principal responsável… Em Uma Aventura Inquietante de José Rodrigues Migueis há um capítulo chamado «Onde um leigo afronta a ciência», que comecei por conhecer isoladamente, não sei quando nem onde (talvez na revista Ver e Crer, com o título «Inocente entre os doutores», e que sempre recordo quando me aparece alguém a convidar-me a fazer algo para que não tenho preparação. Tento desfazer o equívoco, dissuadir quem tanto parece confiar num imaginário ecletismo dos meus dotes. Não foi assim com Simoneta Luz Afonso. Insistiu tanto que não tive outra saída que aceitar um trabalho que me iria dar água pela barba. Levei meses a encontrar uma porta de saída que ao mesmo tempo me servisse de porta de entrada, e finalmente acabei por usar aquela por onde entro e saio todos os dias: a porta da ficção. Destinando-se o conto a publicação em livro, não posso nem devo transcrevê-lo para aqui (seria nada mesmo que concorrência desleal), mas não resisto à tentação de copiar-lhe o primeiro parágrafo, onde logo fica reduzida a cacos a erudita gravidade do Mito:         

«Um homem foi bater à porta do rei e disse-lhe, Dá-me um barco. A casa do rei tinha muitas mais portas, mas aquela era a das petições. 
Como o rei passava todo o tempo sentado à porta dos obséquios (entenda-se, os obséquios que lhe faziam a ele), de cada vez que ouvia alguém a chamar à porta das petições fingia-se desentendido, e só quando o ressoar contínuo da aldraba de bronze se tornava, mais do que notório, escandaloso, tirando o sossego à vizinhança (as pessoas começavam a murmurar, Que rei temos nós, que não atende), é que dava ordem ao primeiro-secretário para ir saber o que queria o impetrante, que não havia maneira de se calar.
Então, o primeiro-secretário chamava o segundo-secretário, este chamava o terceiro, que mandava o primeiro-ajudante, que por sua vez mandava o segundo, e assim por aí fora até chegar à mulher da limpeza, a qual, não tendo ninguém em quem mandar, entreabria a porta das petições e perguntava pela frincha, Que é que tu queres. 
O suplicante dizia ao que vinha, isto é, pedia o que tinha a pedir, depois instalava-se a um canto da porta, à espera de que o requerimento fizesse, de um em um, o caminho ao contrário, até chegar ao rei. 
Ocupado como sempre estava com os obséquios, o rei demorava a resposta, e já não era pequeno sinal de atenção ao bem-estar e felicidade do seu povo quando resolvia pedir um parecer fundamentado por escrito ao primeiro-secretário, o qual, escusado seria dizer, passava a encomenda ao segundo-secretário, este ao terceiro, sucessivamente, até chegar outra vez à mulher da limpeza, que despachava sim ou não conforme estivesse de maré.»