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2 de janeiro de 2018

Lenda da Padeira de Aljubarrota




Encontras muita informação sobre a batalha 



Sobra a lenda da padeira consulta, por exemplo, o sítio Lendas de Portugal (texto, em arquivo) ou no próprio sítio da povoação de Aljubarrota - clica aqui.




Texto que consta no sítio  Lendas de Portugal (com alteração de parágrafos):

A Padeira de Aljubarrota


"Brites de Almeida não foi uma mulher vulgar. 

Era feia, grande, com os cabelos crespos e muito, muito forte. Não se enquadrava nos típicos padrões femininos e tinha um comportamento masculino, o que se refletiu nas profissões que teve ao longo da vida. 

Nasceu em Faro, de família pobre e humilde e em criança preferia mais vagabundear e andar à pancada que ajudar os pais na taberna de donde estes tiravam o sustento diário. 

Aos vinte anos ficou órfã, vendeu os poucos bens que herdou e meteu-se ao caminho, andando de lugar em lugar e convivendo com todo o tipo de gente. Aprendeu a manejar a espada e o pau com tal mestria que depressa alcançou fama de valente. 

Apesar da sua temível reputação houve um soldado que, encantado com as suas proezas, a procurou e lhe propôs casamento. Ela, que não estava interessada em perder a sua independência, impôs-lhe a condição de lutarem antes do casamento. Como resultado, o soldado ficou ferido de morte e Brites fugiu de barco para Castela com medo da justiça. 

Mas o destino quis que o barco fosse capturado por piratas mouros e Brites foi vendida como escrava. Com a ajuda de dois outros escravos portugueses conseguiu fugir para Portugal numa embarcação que, apanhada por uma tempestade, veio dar à praia da Ericeira. Procurada ainda pela justiça, Brites cortou os cabelos, disfarçou-se de homem e tornou-se almocreve. 

Um dia, cansada daquela vida, aceitou o trabalho de padeira em Aljubarrota e casou-se com um honesto lavrador..., provavelmente tão forte quanto ela.

O dia 14 de Agosto de 1385 amanheceu com os primeiros clamores da batalha de Aljubarrota e Brites não conseguiu resistir ao apelo da sua natureza. Pegou na primeira arma que achou e juntou-se ao exército português que naquele dia derrotou o invasor castelhano. 

Chegando a casa cansada mas satisfeita, despertou-a um estranho ruído: dentro do forno estavam sete castelhanos escondidos. Brites pegou na sua pá de padeira e matou-os logo ali. Tomada de zelo nacionalista, liderou um grupo de mulheres que perseguiram os fugitivos castelhanos que ainda se escondiam pelas redondezas. 

Conta a história que Brites acabou os seus dias em paz junto do seu lavrador mas a memória dos seus feitos heróicos ficou para sempre como símbolo da independência de Portugal. A pá foi religiosamente guardada como estandarte de Aljubarrota por muitos séculos, fazendo parte da procissão do 14 de Agosto."


20 de outubro de 2017

Lenda dos Corvos de S. Vicente


Chegada ao estuário do Tejo da nau com o corpo de São Vicente. - pintura.
A nau, o mártir, e os dois corvos integram o brasão de armas da cidade de Lisboa.



No tempo da ocupação da Península Ibérica pelos mouros, estes ordenaram que todas as igrejas fossem convertidas em mesquitas muçulmanas. Os cristãos de Valência quiseram pôr a salvo o corpo do mártir S. Vicente, que estava guardado numa igreja. As Astúrias eram a única região cristã da península.

Para levar o corpo para as Astúrias, fizeram-se ao mar. Como as águas estavam turbulentas, foram forçados a aproximar-se da costa. Perguntaram então ao mestre da embarcação que terra tão bonita era aquela. O mestre respondeu-lhes que era o Algarve. Pouco depois o barco encalhou e forçou-os a passar a noite naquele lugar.

Na manhã seguinte, quando se preparavam para retomar viagem, avistaram um navio pirata. O mestre da embarcação propôs-lhes afastar-se com o navio para evitar a abordagem dos corsários, enquanto os cristãos se escondiam na praia com a sua relíquia. Depois viria buscá-los.

O barco nunca mais voltou e os cristãos ficaram naquele lugar. Construíram um templo em memória de S. Vicente e formaram uma pequena aldeia à sua volta.

Entretanto D. Afonso Henriques entrou em guerra com os mouros do Algarve. Como vingança, os mouros, arrasaram a aldeia dos cristãos de S. Vicente e levaram-nos cativos.

Passados muitos anos, D. Afonso Henriques foi avisado de que existiam cativos cristãos entre os prisioneiros feitos numa batalha contra os Mouros. Chamados à presença do rei, um deles, já muito velho, contou-lhe a sua história e confidenciou-lhe que tinham enterrado o corpo de S. Vicente num local secreto. Pedia ao rei que resgatasse o corpo do mártir para um local seguro.

D. Afonso Henriques resolveu viajar com o cristão a caminho de S. Vicente, mas este morreu durante a viagem.

Sem saber o local exacto onde estava o santo, D. Afonso Henriques aproximou-se das ruínas do antigo templo. Avistou um bando de corvos que sobrevoavam um certo lugar. Os seus homens escavaram e encontraram o sepulcro de S. Vicente, escondido na rocha.


Trouxeram o corpo de S. Vicente de barco para Lisboa e durante toda a viagem foram acompanhados por dois corvos, cuja imagem ainda hoje figura nas armas de Lisboa em testemunho desta história extraordinária.



Fonte:
"Lenda dos corvos de S. Vicente", in Lendas e Mitos de Portugal do site pt. comunidades.


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11 de outubro de 2016

O CASTELO DE FARIA, uma lenda




"Este conto de Alexandre Herculano relata-nos uma situação que teve lugar em 1373, altura em que o Castelo de Faria é sitiado pelos espanhóis. 
O alcaide é feito prisioneiro pelo inimigo e quem fica à frente do castelo é o seu filho, Gonçalo Nunes. 
O alcaide consegue convencer os seus captores a deixá-lo falar com o filho, sob o pretexto de tentar convencê-lo a entregar o castelo sem haver derramamento de sangue. Mas, em vez do combinado, o alcaide incita o filho a defender o castelo até ao fim e é assassinado pelos espanhóis. 
O seu filho vence a sangrenta batalha, mas sente-se tão desgostoso com a morte do seu pai que decide seguir o caminho do sacerdócio e, algum tempo mais tarde, o Castelo de Faria acaba por se transformar num mosteiro.


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