16 de outubro de 2011

Critérios de correção da expressão escrita, Ensino secundário (Grupo III, do teste)

Na produção de texto, avalia-se a expressão escrita do estudante.
Tratando-se de uma “resposta” extensa, deve-se observar as capacidades seguintes:
  • estruturação de um texto que reflicta uma planificação;
  • elaboração de um texto coerente e coeso;
  • produção de um discurso correcto nos planos lexical, morfológico, sintáctico, ortográfico e de pontuação;
  •  a revisão de texto (em aula ou em casa).

Critérios

1.     Uma resposta escrita integralmente em maiúsculas é sujeita a uma desvalorização de cinco (5) pontos.

2.     A cotação é distribuída pelos parâmetros:
conteúdo (C): 60% e organização e correção linguística (F): 40%.

3.     A classificação a atribuir à estruturação temática e discursiva é obrigatoriamente selecionada de entre as cotações definidas para cada um dos nove níveis de desempenho – 30, 27, 24, 21, 18, 15, 12, 9 e 6 pontos – não sendo, portanto, admitida a atribuição de qualquer classificação diferente das indicadas (ver ANEXO final).

4.     Fatores de desvalorização no domínio da correção linguística:


Por cada erro de…
são descontados… pontos

Tipo de erro
Desvalorização
(pontos)
Limites de desvalorização
Sintaxe e Impropriedade lexical
2

Pontuação e ortografia
(incluindo acentuação, ausência de maiúscula e translineação)
1
Por cada erro de ortografia repetido na mesma resposta (incluindo acentuação, translineação e uso convencional de maiúscula) deve proceder-se apenas a uma desvalorização.
Citação de texto (uso indevido ou não uso de aspas, ausência de indicador(es) de corte de texto, etc.) ou referência a título de obra(s)
1


Nota 2: Os descontos por aplicação dos fatores de desvalorização no domínio da organização e correção linguística são efetuados até ao limite das pontuações indicadas para este critério.



5.     Fatores de desvalorização relativos ao desvio dos limites de EXTENSÃO:
  •  Sempre que não sejam respeitados os limites relativos ao número de palavras indicados na instrução do item, deve ser descontado um (1) ponto por cada palavra a mais ou a menos, até ao máximo de cinco (1x5) pontos, depois de aplicados todos os critérios definidos para o item. 
  • Se, da aplicação deste fator de desvalorização, resultar uma classificação inferior a zero pontos, é atribuída à resposta a classificação de zero pontos.


V. Anexo: Descritores dos níveis de desempenho, de 1 a 9:






Níveis de
Desempenho
ESTRUTURAÇÃO TEMÁTICA E DISCURSIVA (ETD)
(texto argumentativo)
Pontuação
9
  • Trata, sem desvios, o tema proposto.
  •  Mobiliza sempre, com eficácia argumentativa, informação ampla e diversificada:
– produz um discurso coerente e sem qualquer tipo de ambiguidade;
– define de forma inequívoca o seu ponto de vista;
– fundamenta a perspectiva adoptada em, pelo menos, dois argumentos, distintos e pertinentes, cada um deles ilustrado com, pelo menos, um exemplo significativo.
  • Redige um texto estruturado, reflectindo uma planificação e evidenciando um bom domínio dos mecanismos de coesão textual:
– apresenta um texto constituído por três partes (introdução, desenvolvimento, conclusão), individualizadas, devidamente proporcionadas e articuladas entre si de modo consistente;
– marca correctamente os parágrafos;
– utiliza, com adequação, conectores diversificados e outros mecanismos de coesão textual.
  •  Faz uso correcto do registo de língua adequado ao texto, eventualmente com esporádicos afastamentos, que se encontram, no entanto, justificados pela intencionalidade do discurso e assinalados graficamente (com aspas ou sublinhados).
  •  Mobiliza com intencionalidade recursos da língua expressivos e adequados (repertório lexical variado e pertinente, figuras de estilo, procedimentos de modalização, pontuação...).
30
8

27
7
  •  Trata, sem desvios, o tema proposto.
  •   Mobiliza informação diversificada, com suficiente eficácia argumentativa:
– produz um discurso coerente, pontuado, no entanto, por ambiguidades pouco relevantes;
– define com suficiente clareza o seu ponto de vista;
– fundamenta a perspectiva adoptada em, pelo menos, dois argumentos adequados, cada um deles documentado com, pelo menos, um exemplo apropriado.
  • Redige um texto bem estruturado, reflectindo uma planificação e recorrendo a mecanismos adequados de coesão textual:
– apresenta um texto constituído por três partes (introdução, desenvolvimento, conclusão), individualizadas, proporcionadas e satisfatoriamente articuladas entre si;
– marca correctamente os parágrafos;
– utiliza, adequadamente, conectores e outros mecanismos de coesão textual.
  • Utiliza o registo de língua adequado ao texto, apesar de afastamentos esporádicos, que não afectam, porém, a adequação geral do discurso.
  •  Mobiliza um repertório lexical adequado e variado.
24
6

21
5
  • Trata o tema proposto, embora apresente desvios pouco relevantes.
  • Mobiliza informação suficiente, nem sempre com eficácia argumentativa:
– produz um discurso globalmente coerente, apesar de algumas ambiguidades evidentes;
– define o seu ponto de vista, eventualmente com lacunas que não afectam, porém, a inteligibilidade;
– fundamenta a perspectiva adoptada em, pelo menos, dois argumentos adequados, apresentando um único exemplo apropriado ou dois exemplos pouco adequados.
  • Redige um texto pouco estruturado, reflectindo uma escassa planificação e evidenciando um domínio apenas suficiente dos mecanismos de coesão textual:
– apresenta um texto constituído por três partes (introdução, desenvolvimento, conclusão), articuladas entre si de modo pouco consistente;
– marca parágrafos, mas com falhas esporádicas;
– utiliza apenas os conectores e os mecanismos de coesão textual mais comuns, embora sem incorrecções graves.
  • Utiliza, em geral, o registo de língua adequado ao texto, mas apresentando alguns afastamentos que afectam pontualmente a adequação global.
  • Mobiliza um repertório lexical adequado, mas pouco variado.
18
4

15
3
  • Trata globalmente o tema, mas com desvios notórios.
  •  Mobiliza pouca informação e com reduzida eficácia argumentativa:
– produz um discurso com alguma coerência, mas nem sempre claramente inteligível;
– define um ponto de vista identificável, mas fá-lo de forma confusa.
– fundamenta a perspectiva adoptada num único argumento adequado ou em dois argumentos redundantes, apresentando um exemplo pouco adequado.
  •  Redige um texto com deficiências de estrutura, evidenciando um domínio insuficiente dos mecanismos de coesão textual:
– apresenta um texto em que não distingue com clareza três partes (introdução, desenvolvimento, conclusão), ou em que as mesmas se encontram insuficientemente marcadas, com desequilíbrios de proporção mais ou menos notórios e com deficiências ao nível da articulação entre elas;
– marca parágrafos, mas com incorrecções de alguma gravidade;
– utiliza um número insuficiente de conectores, por vezes de forma inadequada e recorrendo a construções paratácticas frequentes.
  • Apresenta, em número significativo, afastamentos do registo de língua adequado ao texto.
  • Utiliza um vocabulário simples e comum, com impropriedades que não perturbam, porém, a comunicação.
12
2

9
1
  • Aborda lateralmente o tema, porque o compreendeu mal ou porque não se cinge a uma linha condutora e se perde em digressões.
  •  Mobiliza muito pouca informação e sem eficácia argumentativa:
– produz um discurso geralmente inconsistente e, por vezes, ininteligível;
– não define um ponto de vista concreto;
– não cumpre a instrução no que diz respeito ao tipo de texto ou apresenta um texto em que traços do tipo solicitado se misturam, sem critério, com os de outros tipos textuais.
  • Redige um texto com estruturação muito deficiente, desprovido de mecanismos elementares de coesão textual.
  • Utiliza indiferenciadamente registos de língua, sem manifestar consciência do registo adequado ao texto, ou recorre a um único registo inadequado.
  •  Utiliza vocabulário elementar e restrito, frequentemente redundante e/ou inadequado.
6


 fim

15 de outubro de 2011

Funções da linguagem

Usamos a linguagem para comunicar, mas quando comunicamos são vários os objectivos que pretendemos atingir: informar, expressar os nossos sentimentos, ordenar, pedir, explicar o código, dizer frases belas ou mesmo, depois de estabelecida a comunicação, tentar prolongá-la ou interrompê-la. Daí podermos falar em diferentes funções da linguagem, com as suas marcas (caraterísticas) específicas.
Embora várias funções possam coexistir numa mesma fala ou texto, há uma que é
predominante de acordo com o principal objectivo que se pretende atingir. 

         A cada um dos seis elementos implicados no processo de comunicação - ou seja: o emissor, o receptor, o referente (aquilo de que se fala; o mundo, os seres e as coisas; os acontecimentos), o contacto (canal), o código e a mensagem – corresponde uma função da linguagem. É o que poderás verificar no esquema e no quadro seguintes:


O processo de comunicação e as funções das linguagem:





 

FUNÇÕES

ELEMENTOS COMUNICAÇÃO
OBJECTIVOS
MARCAS

Informativa


Referente


-Informar
Uso de 3º pessoa; domina na linguagem científica e na «padrão» dos media; frases simples, claras, de fácil compreensão; pouco uso de adjectivos; frases de tipo declarativo.

Emotiva
ou
expressiva


Emissor


-Expressar emoções

Uso da 1ª pessoa; domina na linguagem familiar e na popular; uso de interjeições, repetições e reticências/ interrupções; uso abundante de adjectivos; frases de tipo exclamativo.

Apelativa
ou 
coativa

Receptor

-Persuadir
-Apelar

Uso da 2ª pessoa; domina no discurso publicitário; recorre-se ao vocativo e às frases de tipo imperativo.

Poética ou estética



Mensagem


-Deleitar
(provocar prazer estético)
Domina na linguagem literária; uso de um vocabulário rico de sentidos e frases mais elaboradas. Recorre-se às figuras de estilo, ao ritmo e às sonoridades expressivas da língua.

Metalinguística

Código
-Explicar a própria
linguagem
-Verificar a utilização
correcta do código
Utilizam-se definições, conceitos e vocabulário como: «isto é», «quer dizer», «ou seja», etc. Predomínio das frases de tipo declarativo.

Fática

Contacto
-Estabelecer,
prolongar ou interromper a comunicação
-Verificar o contacto
Utilizam-se frases como: «está lá?», «espera um momento.», «o quê?», «como?», «estás a entender?», «não é?», «O.K.», «estás de acordo?».
Uso de frases de tipo interrogativo.



As funções das linguagem


EMOTIVA OU EXPRESSIVA:
  • Comunica o estado psíquico do emissor: alegria, tristeza, indignação, surpresa, afeto, etc. 
  • Usa-se abundantemente nos níveis de língua familiar e coloquial, menos no nível culto; 
  • Tem carácter subjetivo refletido em abundante adjetivação.
Ex.: Na carta familiar; na propaganda, etc.

APELATIVA
  • Também chamada coativa, pois tenta obter uma reacção do receptor dirigindo-se ao comportamento deste; 
  •  Utiliza vocativos e imperativos; 
          Ex.: No discurso da publicidade (apela-se ao consumo); nos sinais de trânsito (onde se apela às actuações dos condutores e dos peões).

INFORMATIVA:
  • É dominante na informação e no nível culto;
  • É objectiva, dado que se concentra no referente (aquilo de que se fala) e não nas acções e reacções do emissor/receptor;
  • Domina na linguagem científica; os seus conteúdos são lógicos. 
          Ex.: Nas notícias.

POÉTICA:
  • Prevalece na literatura; 
  • É a criatividade; 
  • Predomínio da forma sobre o conteúdo.
Ex.: Nas histórias dos livros de ficção; nas letras das canções; em certos anúncios publicitários, etc.

METALINGUÍSTICA:
  • Explicita o código; verifica a utilização correcta do código.
Ex.: Nas gramáticas; nos dicionários, nos prontuários, etc.

FÁTICA:
  • Mensagem que estabelece, prolonga ou interrompe a comunicação («está lá?», «espera um momento.»); 
  • Verifica o funcionamento do contacto («Estás a ouvir/ver?»), do código («Estás a entender?») ou do efeito comunicativo («Não é?», «O.K.», «Estás de acordo?»).


ACTIVIDADE:



Em trabalho de grupo (ou a pares), encontrar pequenos textos que ilustrem cada uma das 6 funções da linguagem.

Jogo do acordo ortográfico

O Sapo.pt disponibiliza um jogo onde poderás testar os teus conhecimentos sobre o novo AO. Cada resposta é acompanhada de uma explicação oral simples e fácil de entender. Experimenta!

Jogo do acordo ortográfico

AO - Para saber mais

Para saber mais sobre as regras do AO, consulta:

  • Conversor para o Acordo Ortográfico - A Priberam disponibiliza on-line um conversor para o AO. A partir da janela disponível no ecrã, o utilizador pode digitar as palavras ou as frases que pretende converter e visualizar as modificações propostas.

Fonte da foto: http://algarve-reporter.blogspot.com








Acordo Ortográfico - Teoria e prática

Esta "lição" é composta por dois momentos:


1. O Guia prático para perceber o Acordo Ortográfico, disponibilizado online pela Visão.pt., apresenta as novas regras da grafia portuguesa previstas no Acordo Ortográfico (AO).          

     Sugestão: Consulta este guia de modo a assimilares as novas regras ortográficas: 
Guia prático (Clica na ligação!)
         

2. O jogo para testares os teus conhecimentos sobre o AO. (Esta atividade foi-me fornecida por colegas de Língua Portuguesa da EB 2,3 Ruy Belo, embora noutro formato. Obrigado.)

     Sugestão: Testa os teus conhecimentos, jogando.




___ Vamos testar o que aprenderam?___



ATIVIDADE 1 - Descobrindo intrusos

Objetivo: Descobrir qual a palavra que está escrita de forma incorreta e explicar porquê.

1.      Qual o intruso?
a.      objeto        
b.     pacto
c.      detetive
d.     acção

2.     Qual o intruso?
a.      heroico
b.     atomico
c.      dúvida
d.     jiboia

3.     Qual o intruso?
a.      contrassenha
b.     antirreligioso
c.      mini-saia
d.     aerossol

4.     Qual o intruso?
a.      veem
b.     crêem
c.      têm
d.     mantêm

5.     Qual o intruso?
a.      Março
b.     Lisboa
c.      Pedro
d.     domingo

6.     Qual o intruso?
a.      autoestrada
b.     extraescolar
c.      co-autor
d.     anti-herói

7.     Qual o intruso?
a.      facto
b.     actor
c.      egípcio
d.     rapto



ATIVIDADE 2 - Descobrindo erros

Querido diário,

A recepção aos alunos foi ontem e daqui a nada já é fim-de-semana!

As actividades extra-curriculares são excepcionais.

No Sábado vou de comboio a casa dos meus primos que não me vêem desde o Natal. Vamos fazer ioga. Há-de ser um espectáculo!

ATIVIDADE 3 - Corrigindo erros

Quais as palavras erradas?


1. adoptivo
2. afectivo
3. anoréctico
4. bactéria
5. convicto
6. desinfectar
7. detectar


___ Vamos ver os resultados... ___


Atribui 1 ponto a cada resposta certa.
Soma todos os pontos e...

Qual a tua pontuação?


De 0 a 8:     Volta a estudar tudo. Já!

De 9 a 15:   Estás no bom caminho... Mas, já agora, vai lá estudar mais um bocadinho!

De 16 a 21: Parabéns! Estás pronto para começar a escrever de acordo com as novas regras.