16 de abril de 2012

Português, 11º ano. Orientações para: Comentário literário



Orientações:

 
Competência em treino: Expressão escrita
Atividade: Comentário literário
Tema: Uma cena de Frei Luís de Sousa
Modalidade de trabalho: Trabalho individual
Dimensão e formato: 1-2 folhas A4, Processado em Word 
Prazo de entrega: 4.05.12

Este trabalho consiste na produção de um texto escrito, um comentário de um excerto literário, bastante semelhante a um texto de apreciação crítica (ver ficha informativa na pág. 25 do manual).

Deverás obrigatoriamente: 

1. Escolher uma cena do drama Frei Luís de Sousa, de Almeida Garrett.

2. Apresentar um plano por tópicos para o respetivo comentário.

3. Planear (organizar) o texto de acordo com a seguinte estrutura geral:
  1. Indicar o ato e a cena a comentar, a dimensão desta, as personagens presentes, a eventual existência de didascálias…
  2. Indicar sucintamente (4-5 linhas) o assunto da cena.
  3. Inserir a cena na ação dramática, isto é, indicar os aspetos imediatamente antes e depois da cena em estudo que sejam pertinentes (notar se há causa/consequência ou contraste/afinidade, etc.).
  4. Analisar a cena, relacionando as personagens (as suas falas, a sua caracterização e comportamentos) com o desenvolvimento da ação, com o conflito dramático central, o espaço ou o tempo, valorizando aspetos estilísticos, históricos, sociais, etc.
  5. Brevíssima síntese (3-4 linhas) do que se disse antes, salientando o aspeto que se considerou mais pertinente no comentário.


Nota: Ver no e-mail da turma um exemplo de plano e de redação de comentário.


4. No topo da primeira folha do trabalho deverão constar os elementos de identificação do seu autor (nome, número, ano e turma).


Biblio-web-grafia a consultar: 

  • Cap. 3 do manual Português 11º ano;
  • Projeto Desafios; 
  • dicionários e histórias de literatura portuguesa; 
  • blogue “Lições Práticas”; 
  • Google; Wikipédia, Youtube...















7 de abril de 2012

Os Maias (2011) - minisérie da rede Globo


Os Maias (2001)

"Os Maias" foi uma minissérie exibida pela Rede Globo, Brasil, em 2001. 

Constitui uma adaptação do romance homónimo de Eça de Queirós, integrando ainda aspetos de outro romance queirosiano - "A Relíquia".

Esta minisérie foi escrita por Maria Adelaide Amaral e João Emanuel Carneiro  e dirigida por Luiz Fernando Carvalho.




APRESENTAÇÃO

1/4

2/4

3/4


4/4
Os Maias (2001) - Serie Completa - Parte 4 de 4
http://youtu.be/hkaZdX7c_Oo
































1 de abril de 2012

Sumários e TPCs, 11º G - 3º período


3º período 


Aula 46 (10 abril, terça)

- Processamento em Word do texto argumentativo sobre o "Fast-food versus Alimentação saudável":


Aula 47 (13 abril)

- Resolução de uma ficha de verificação de leitura sobre o drama Frei Luís de Sousa [Itens verdadeiro/falso; itens de escolha múltipla].


Aula 48 (17 abril, terça)

- Orientações para o trabalho escrito individual: comentário de uma cena dramática do drama Frei Luís de Sousa.
- Sistematização da estrutura e personagens deste drama.


Aula 49 (20 abril)
- Inventariação de algumas caraterísticas da estética realista a partir do manual (pp. 190-192).


***


Aula 50 (27 abril, sexta-feira)
- Orientações para o trabalho de grupo: exposição oral sobre um episódio de 
Os Maias [Recursos: fotocópias, manual, Internet, blogue, e-mail da turma; Constituição de grupos; atribuição de um tema; calendarização]


- Motivação para a leitura do romance através de elementos paratextuais.



Aula 51 (4 maio)
- Visão global do romance Os Maias como um todo orgânico. [a reformular]


Aula 52 (8 maio, terça)



Aula 53 (11 maio)



Aula 54 (15 maio, terça)



Aula 55 (18 maio)



Aula 56 (22 maio, terça)



Aula 57 (25 maio)



Aula 58 (29 maio, terça)



Aula 59 (1 junho)



Aula 60 (5 junho, terça)



Aula 61 (8 junho)


Sumários e TPCs, 11º D - 3º período


3º período



Aula 44 (10 abril, terça)

- Processamento em Word do texto argumentativo sobre o "Fast-food versus Alimentação saudável".


Aula 45 (16 abril)

- Resolução de uma ficha de verificação de leitura sobre o drama Frei Luís de Sousa [Itens verdadeiro/falso; itens de escolha múltipla].


Aula 46 (17 abril, terça)

- Orientações para o trabalho escrito individual: comentário de uma cena dramática do drama Frei Luís de Sousa.

Aula 47 (23 abril)

- Inventariação de algumas caraterísticas da estética realista a partir do manual (pp. 190-192).

Aula 48 (30 abril)

- Orientações para o Trabalho de pares/grupo: apresentação oral sobre um episódio de Os Maias.
- Motivação para a leitura do romance através de elementos paratextuais.

Aula 49 (7 maio)



Aula 50 (8 maio, terça)



Aula 51 (14 maio)



Aula 52 (15 maio, terça)



Aula 53 (21 maio)



Aula 54 (22 maio, terça)



Aula 55 (28 maio)



Aula 56 (29 maio, terça)



Aula 57 (4 junho)



Aula 58 (5 junho, terça)


9 de março de 2012

Teste de Português, 11º ano, sobre o «Sermão de Santo António aos Peixes» - RESPOSTAS


GRUPO I – LEITURA (40 pontos)

1.      Este excerto faz parte do desenvolvimento ou exposição do sermão; especificamente, do capítulo III do mesmo, em que Vieira faz os louvores dos peixes em particular (no cap. anterior louvara os peixes em geral).
2.      No início do testo é referido, através do uso do vocativo, o destinatário deste sermão, ou seja: os «moradores do Maranhão», no Brasil. Portanto, este texto destina-se essencialmente aos colonos que habitavam naquela localidade. Todavia, no texto, o autor finge ter-se esquecido de estar a pregar aos peixes em vez de aos homens. É um artifício engenhoso, pois sabemos que no seu sermão, ao louvar ou criticar os peixes, Vieira está de facto a elogiar ou a reprender os seres humanos.
3.      3.1. Expressão que melhor refere a Rémora: «[…] a virtude daquele peixezinho tão pequeno no corpo e tão grande na força e no poder[…]».
4.      A rémora e a língua de Santo António são comparadas pelo poder que ambas têm apesar de serem pequenas. Quer a Rémora quer a língua de Santo António tinham muita força para «domar as paixões humanas», isto é, para guiar o ser humano pelo bom caminho.
5.      A Rémora é um peixe, vive na água do mar; portanto, é natural que enfrente tempestades, que tenha poder, apesar de ser tão pequena, de segurar ou guiar uma «Nau da Índia». Do mesmo modo, mas em sentido figurado, a língua de santo António era uma rémora pois enfrentou e domou «tempestades» em terra, através da pregação da doutrina cristã. O que no texto se refere como naus - «Nau Soberba», «Nau Vingança», «Nau Cobiça» e «Nau Sensualidade» - representa os defeitos ou vícios, isto é, as «paixões» do ser humano.
6.      Resposta livre. Qualquer um dos recursos estilísticos confere mais expressividade ao texto/sermaõ, de modo a torná-lo mais eficaz quando proferido oralmente de um púlpito com o intuito de persuasão. As interrogações retóricas, as frases exclamativas, os paralelismos sintáticos – pela dúvida suscitada, pela emoção expressa ou pela repetição – tornam o texto mais vivo, ritmado e sedutor, interagindo com os ouvintes, apelando à sua atenção e juízo de valor; por outro aldo, o uso de metáforas e antíteses permite concretizar as ideias, exemplificar os argumentos, pela semelhança ou pelo contraste, e desse modo configurando um texto de contrastes, dialogante em si e com o auditório, de todos os tempos.
7.      Neste Sermão, Vieira utiliza a rémora para simbolizar… 7.2) o poder que a palavra do pregador tem de ser guia das almas.

GRUPO II (20 pontos)

No Sermão, o Padre António Vieira decide pregar aos peixes e não aos homens, visto que não obtinha os efeitos desejados da sua pregação, tal como Santo António já o fizera. Vieira, no início do seu texto, menciona a história ocorrida com este em Arimino, onde, quando pregava aos hereges, fora alvo da tentativa de apedrejamento por parte destes. Ao longo do seu texto manifesta admiração por Santo António e este será seu modelo inpirador. Deste modo, tal como Santo António, diz Vieira, «foi sal da terra e foi sal do mar», para criticar a humanidade que estava cada vez mais corrupta, também Vieira decidiu deixar de pregar aos homens e preferiu antes dirigir-se aos peixes. Percebe-se, pois, porque é que no seu sermão as criaturas marinhas simbolizam as virtudes e os defeitos dos homens: quando Vieira começa por apreciar as virtudes dos peixes e depois lhe aponta os defeitos, eles está a tentar corrigir os defeitos humanos através dessa analogia.

GRUPO III – EXPRESSÃO ESCRITA (40 pontos)

8.      Resposta livre. Texto expositivo-argumentativo sobre a importância dos direitos humanos nos nossos dias.

Teste de Português, 11º ano, sobre o «Sermão de Santo António aos Peixes»

GRUPO I – LEITURA (40 pontos)

Leia o seguinte texto e depois responda às questões sobre o mesmo.


“SERMÃO DE SANTO ANTÓNIO AOS PEIXES”
de Padre António Vieira

«Ah moradores do Maranhão, quanto eu vos pudera agora dizer neste caso! Abri, abri estas entranhas; vede, vede este coração. Mas ah sim, que me não lembrava! Eu não vos prego a vós, prego aos peixes.
Passando dos da Escritura aos da história natural, quem haverá que não louve e admire muito a virtude tão celebrada da Rémora? No dia de um santo menor, os peixes menores devem preferir aos outros. Quem haverá, digo, que não admire a virtude daquele peixezinho tão pequeno no corpo e tão grande na força e no poder, que, não sendo maior de um palmo, se se pega ao leme de uma Nau da Índia, apesar das velas e dos ventos, e de seu próprio peso e grandeza, a prende e amarra mais que as mesmas âncoras, sem se poder mover, nem ir por diante? Oh se houvera uma Rémora na terra, que tivesse tanta força como a do mar, que menos perigos haveria na vida e que menos naufrágios no Mundo!
Se alguma Rémora houve na terra, foi a língua de Santo António, na qual, como na Rémora, se verifica o verso de São Gregório Nazianzeno: Lingua quidem parva est, sed viribus omnia vincit. O Apóstolo Santiago, naquela sua eloquentíssima Epístola, compara a língua ao leme da nau e ao freio do cavalo. Uma e outra comparação juntas declaram maravilhosamente a virtude da Rémora, a qual, pegada ao leme da nau, é freio da nau e leme do leme. E tal foi a virtude e força da língua de Santo António. O leme da natureza humana é o alvedrio[1], o Piloto é a razão: mas quão poucas vezes obedecem à razão os ímpetos precipitados do alvedrio? Neste leme, porém, tão desobediente e rebelde, mostrou a língua de António quanta força tinha, como Rémora, para domar a fúria das paixões humanas. Quantos, correndo fortuna na Nau Soberba, com as velas inchadas do vento e da mesma soberba (que também é vento), se iam desfazer nos baixos, que já rebentavam por proa, se a língua de António, como Rémora, não tivesse mão no leme, até que as velas se amainassem, como mandava a razão, e cessasse a tempestade de fora e a de dentro? Quantos, embarcados na Nau Vingança, com a artilharia abocada e os botafogos acesos, corriam enfunados a dar-se batalha, onde se queimariam ou deitariam a pique se a Rémora da língua de António lhes dão detivesse a fúria, até que, composta a ira e ódio, com bandeiras de paz se salvassem amigavelmente? Quantos, navegando na Nau Cobiça, sobrecarregada até às gáveas e aberta com o peso por todas as costuras, incapaz de fugir, nem se defender, dariam nas mãos dos corsários com perda do que levavam e do que iam buscar, se a língua de António os não fizesse parar, como Rémora, até que, aliviados da carga injusta, escapassem do perigo e tomassem porto? Quantos, na Nau Sensualidade, que sempre navega com cerração[2], sem sol de dia, nem estrelas de noite, enganados do canto das sereias e deixando-se levar da corrente, se iriam perder cegamente, ou em Sila, ou em Caríbdis, onde não aparecesse navio nem navegante, se a Rémora da língua de António os não contivesse, até que esclarecesse a luz e se pusessem em via.
Esta é a língua, peixes, do vosso grande pregador, que também foi Rémora vossa, enquanto o ouvistes; e porque agora está muda (posto que ainda se conserva inteira[3]) se veem e choram na terra tantos naufrágios.»

Questões:


1.      Insira o excerto transcrito na globalidade do “Sermão de Santo António aos Peixes”, do modo mais completo que puder.  (7,5 pontos)

2.      Com base no texto, identifique o destinatário do sermão.    (2,5 pontos)

3.      O orador enuncia as virtudes de um peixe em particular.
3.1.  Transcreva a expressão textual que melhor refere a Rémora.  (5 pontos)

4.      Explique a comparação entre a rémora e a língua de Santo António.    (5 pontos)

5.      Explicite o sentido metafórico da “tempestade” das paixões humanas (as naus) que a língua de Santo António conseguiu acalmar.    (10 pontos)

6.      Dos seguintes recursos estilísticos, escolha um que seja importante na construção deste excerto do sermão e comente a sua expressividade.    (5 pontos) 
Interrogações retóricas; paralelismos sintáticos; metáforas; antíteses; frases exclamativas.

7.      Neste Sermão, Vieira utiliza a rémora para simbolizar… (assinale a única correta):      (5 pontos)
7.1.  um peixe que vivia do oportunismo.  *
7.2.  o poder que a palavra do pregador tem de ser guia das almas.  *
7.3.  o poder que a palavra de Deus tem de fazer tremer os pecadores. *
7.4.  o poder purificador da palavra de Deus.  *



GRUPO II (20 pontos)

 «Mas ah sim, que me não lembrava! Eu não vos prego a vós, prego aos peixes.»
(início do excerto do teste)


8.      Num breve texto (cerca de 80 – 140 palavras), explique por que motivo no “Sermão de Santo António aos Peixes” o orador decide pregar aos peixes (e não aos homens) e o que representam, na generalidade, as criaturas marinhas. Aluda ao texto do sermão para fundamentar a sua resposta.




GRUPO III – EXPRESSÃO ESCRITA (40 pontos)

Texto
Estruturação temática e discursiva:                     25 pontos
Correção linguística:                                             15 pontos
__________________________
Total:     40 pontos


Leia a seguinte citação sobre a vocação humanista do padre António Vieira:
«A defesa dos direitos humanos, nomeadamente dos índios do Brasil escravizados pelos colonos, bem como dos cristãos-novos perseguidos pela Inquisição, é uma preocupação a que Vieira se manteve sempre fiel até ao fim da sua vida.»
Maria das Graças Moreira de Sá, Introdução a:
Padre António Vieira, Sermões Escolhidos, Lisboa, Ulisseia, 1999.

9.      Redija um texto expositivo-argumentativo bem estruturado, com um mínimo de 200 e um máximo de 300 palavras, em que apresente a sua opinião sobre a importância dos direitos humanos nos nossos dias.

Discuta o tema, desenvolvendo dois ou três argumentos e ilustrando-os com exemplos.

Nota: Antes de começar a redação do texto, elabore um plano da composição que poderá ser ou não um topic outline (o qual também deverá constar na folha de respostas).



[1] Alvedrio - o livre-arbítrio, ou seja: a faculdade da vontade para se determinar.
[2] Cerração – nevoeiro espesso; escuridão (do tempo).
[3] A língua de Santo António é conservada como relíquia na sua basílica de Pádua.

21 de fevereiro de 2012

Guião - Questões introdutórias (breves)


“Sermão de Santo António aos peixes” (1954)
do Padre António Vieira

Para testar os teus conhecimentos, consulta esta ligação:  Questões interativas



1. Que tipo de texto é este?

A ficha informativa da pág. 85 explicita o “texto expositivo-argumentativo”, portanto, o sermão estando incluído nesta sequência é classificado como um texto desse tipo (género textual).
Por outro lado, na pág. 82, onde se sistematiza os conhecimentos sobre o sermão, a estrutura do sermão é bem explicitada: 6 capítulos agrupados/distribuídos por 3 partes: exórdio[1], [invocação][2], exposição/confirmação[3], peroração[4].

No ponto 2.2. “Barroco: a estética da época de Vieira”, fala-se na importância da retórica (na pedagogia e na literatura) como “arte de persuasão”, com “processos de captação do destinatário, de manipulação dos seus afetos […]” semelhantes às artes plásticas e arquitetura. Notar: semelhanças com a linguagem do marketing, da publicidade.
Numa subalínea de 2.2,   2.2.1 – “Retórica e sermonística no Barroco literário” (pp. 45-46), explicitam-se “as bases teóricas sobre a arte de pregar em Portugal”, tal como são propostas no Sermão da sexagésima. No 2º parágrafo, são enumeradas “as regras e as partes” constitutivas do “método português” de pregar:
- O tema (em latim),
- A proposição,
- A divisão
- A prova ou confirmação com os textos das Escrituras, i.e., o “conceito predicável”,
- A amplificação com recurso aos lugares comuns,
- A confutação [i.e., refutação: demostrar a falsidade de um dito ou argumento contrário] e, por fim,
- A peroração, onde se devia colocar a conclusão e insistir na persuasão.

Notar ainda a  importância das funções tradicionais da oratóriadelectare (deleitare), docere (ensinar) e movere (mover ou influenciar o comportamento do ouvinte, como na PUB). O seus sermões, Vieira pretende cativar os ouvintes, de modo a cumprir as funções do sermão, ou seja, deleitar (delectare), coagir com/persuadir o auditório («movere»), levando-o a alterar o seu comportamento («docere»).
Será ainda interessante ler o texto sobre o  sermão como “um ritual social”: v. 1º parágrafo, p. 46.

2. Em que situação foi escrito e proferido este sermão?

Os mais conhecidos sermões de Vieira prendem-se a conjunturas históricas determinadas: o sermão de Santo António aos peixes, pregado em S. Luís do Maranhão em 1654, ilustra a sua imaginação e poder satírico na simbologia que atribui aos peixes.
No princípio de 1653, Vieira chegou ao Maranhão, onde foi recebido com muito júbilo, mas também com a má vontade do capitão general e do povo. Nesse estado, assumiu um papel muito ativo nos conflitos entre jesuítas e colonos, como paladino dos direitos humanos, a propósito da exploração dos indígenas. Quando então se publicou uma lei mandando restituir os índios cativos à liberdade, houve uma verdadeira sublevação, chegando a estar em perigo o colégio da Companhia.
Em 1654, rês dias antes de partir para Lisboa, o padre Antóno Vieira pregou o Sermão de Santo António aos peixes, que é uma das obras-primas da sua eloquência.
Embarca, quase às escondidas, em Junho, para Lisboa a fim de obter novas leis favoráveis aos índios. Durante a viagem padece, mais uma vez, grandes tempestades e caiu nas mãos dum pirata holandês, que, após roubar a embarcação, deixou a tripulação nas ilhas dos Açores. Vieira demorou algum tempo naquele arquipélago, onde foi muito festejado. Na ilha de S. Miguel pregou o sermão de Santa Teresa, perante um auditório entusiasmado.
Chegou a Portugal no mês de novembro de 1654. Quando se encontrou com o rei D. João IV, Vieira expôs-lhe o assunto a que vinha, conseguindo que se tomassem as medidas que ele desejava em relação aos índios, e partiu enfim de novo para o Maranhão a 16 de abril de 1655.

3. Porquê o nome deste sermão?

Trata-se de uma homenagem a Santo António, tendo sido pregado no dia de nascimento deste santo; segue o exemplo do sermão do próprio Santo António, dirigido aos peixes; tal como Sto. António tenta converter os hereges, também Vieira tenta evangelizar os colonos portugueses no Brasil.

4. Qual o propósito deste sermão?

Vieira pretende influenciar o auditório, levando-o a refletir e a alterar os seus atos. De acordo com a linguagem utilizada no sermão, o pregador pretende evitar o mal e preservar o bem, i.e., o sal deve salgar a terra.
Como se diz no início do nosso manual, por um lado, este sermão “é um texto religioso, que promove as virtudes do cristão e procura evitar que ele caia no pecado.” – e nesse sentido é um texto datado, com um propósito muito específico (veja-se a resposta a “Em que situação foi escrito e proferido este sermão?”). Todavia,  por outro lado, e em sentido mais lato, “é também um texto com uma relevante dimensão cívica, tendo em conta que o pregador reflete sobre questões intemporais das sociedades humanas e sobre circunstâncias do seu tempo.” (cf. P. 47 do manual).



[1] Exórdio ou introito, em que o orador expunha o plano que iria defender, baseado num conceito predicável extraído normalmente da Sagrada Escritura;
[2] a invocação, em que se invocava o auxílio divino para a exposição das ideias;
[3] a confirmação ou argumento, em que se fazia a exposição do tema através de alegorias, sentenças e exemplos para deles tirar ilações
[4] Peroração, a última parte do sermão, em que o orador, recapitulando o seu discurso, usava um desfecho vibrante de forma a impressionar o auditório e a exortá-lo, a pôr em prática os seus ensinamentos.

Guião - Respostas ao questionário 6


“Sermão de Santo António aos peixes” (1654)
do Padre António Vieira

Compreensão/Interpretação 6 (p. 80)cap. VI


1. Os peixes encontram-se arredados dos sacrifícios a Deus. O enunciador avança como motivo o facto de os peixes, ao contrário dos outros animais, não poderem chegar vivos ao altar do sacrifício, o que a Deus não agradaria.

1.1. Muitos homens chegam mortos ao altar do sacrifício, ou seja, morrem em pecado. Facto que é objeto da crítica do orador.

2. Os peixes sacrificam a Deus, não o sangue e a vida, mas o respeito e a reverência. Deste modo, o pregador apela aos homens para que sejam virtuosos e exorta-os a respeitarem e a obedecerem a Deus.

3. No segundo parágrafo, o pregador inveja os peixes porque lhes atribui características superiores: o facto de não falarem, não terem memória, entendimento e vontade evita que ofendam a Deus e, por outro lado, os peixes conseguem atingir o objetivo para que foram criados (servir os homens), ao contrário do pregador, que diz não conseguir servir a Deus.

4. Os peixes deverão louvar a Deus porque este…
- os criou em grande quantidade e variedade,
- lhes deu a água como elemento,
- os sustenta e conserva.
5. Na passagem «e chamou para si aqueles que convosco e de vós viviam» (ll. 47-48), o pregador refere-se aos apóstolo, alguns deles pescadores de profissão.


Guião - Respostas ao questionário 5


“Sermão de Santo António aos peixes” (1654)
do Padre António Vieira

Compreensão/Interpretação 5 (p. 77) – cap. V


Atividade interativa do manual, p. 77: A partir da leitura do cap. V, complete o quadro com as seguintes palavras em falta.

Peixes
Defeitos
Contrastes com S. António
Roncadores
soberba, orgulho, arrogância
Sabia calar o saber e o poder que tinha. Por isso, a sua palavra chegou até hoje.
Pegadores
parasitismo, oportunismo, adulação
Pegou-se apenas com Cristo e tronou-se imortal.
Voadores
presunção, ambição
Sempre foi discreto quanto á sua sabedoria natural e sobrenatural.
Polvo
traição, hipocrisia
É um exemplo de candura, de sinceridade e de verdade.


2. Sistematização da informação central através de uma tabela:



«Peixes»
Comportamento e caraterísticas
Traços humanos representados
Personagens com esse comportamento
Contrastes com S. António
Roncadores
Pequenos e emitem um som grave.
Arrogância e orgulho
São pedro, Golias, Caifás e Pilatos
S. António tinha saber e poder, mas não se vangloriava.
Pegadores
Pequenos e fixam-se a peixes grandes ou ao leme dos navios.
Oportunismo, parasitismo social e subserviência
Os seguidores de Herodes e aqueles que Nabucodonosor sustentava.
S. António «pegou-se» apenas a Cristo e seguiu-O.
Voadores
Peixes de grandes barbatanas que saltam para fora de água como se voassem.
Ambição desmedida
Simão Mago e Ícaro
S. António tinha sabedoria e poder, mas não se vangloriou.
Polvo
Tem um «capelo», tentáculos e um corpo mole, e pode camuflar-se.
Hipocrisia e traição
Judas
S. António foi sincero e verdadeiro (nunca enganou).

[…]


7. No do fim do cap. V, Vieira dá um conselho edificante aos ouvintes, com base nos peixes: o orador aconselha os peixes (e os homens) a não se apoderarem dos bens dos outros, ato que é pecaminoso e desonesto.

Guião - Respostas ao questionário 4


“Sermão de Santo António aos peixes” (1654)
do Padre António Vieira




Compreensão/Interpretação 4 (p. 69) – cap. IV

Neste cap., Vieira repreende os peixes em geral, criticando neles comportamentos condenáveis nos homens.

1. A frase “A primeira cousa que me desedifica, peixes, de vós, é que vos comeis uns aos outros” (ll. 3-4) simboliza algo semelhante na sociedade humana: os homens dominam, oprimem e exploram os seus semelhantes.

1.1. Os estudiosos de Vieira referem-se a esta prática através do termo “antropofagia social”. Neste contexto, a expressão significa que as práticas da opressão e da exploração são metaforicamente atos de canibalismo porque os homens se “alimentam” (subjugam, dominam) de outros homens para aumentar o seu poder  e as suas riquezas.

2., 2.1 e 2.1.1. O problema é mais grave pois “os [peixes] grandes comem os pequenos” (ll. 5-6) – Na sociedade humana, esse facto significa metaforicamente que os homens mais poderosos e ricos dominam e subjugam os mais vulneráveis e os desfavorecidos. É mais grave que assim seja porque – como se dominam os mais frágeis – a injustiça e a desumanidade de quem oprime e explora são maiores.

2.2. Exemplos dos nossos dias em que “os grandes comem os pequenos”:
- Os empresários sem escrúpulos explorarem os trabalhadores,
- Alguns políticos serem prepotentes,
- Uma maioria étnica/religiosa/etc. discriminar os indivíduos de outras etnias, religiões, etc.

3. Relação estabelecida entre as críticas formuladas por Santo Agostinho aos peixes e as enunciadas por Vieira (ll. 14-17): Santo Agostinho, para ensinar os homens, através da sua pregação, aludiu ao exemplo dos peixes. Vieira fará o oposto: pregará aos peixes e ilustrará os seus ensinamentos com casos de homens.

4. Na frase “Cuidais que só os Tapuias se comem uns aos outros? Muito maior açougue[1] é o de cá, muito mais se comem os brancos.” (ll. 21-22), estabelece-se uma comparação em que se criticam os homens brancos: embora os Tapuias sejam canibais, não comem tantos homens como aqueles que, metaforicamente, são devorados (oprimidos) na carnificina que existe entre os brancos.

5. As formas verbais alusivas à visão (ll. 14-28) como «mostrou-lhos», «vejais», «olhai», «olhar» e «vedes», permitem representar os factos de modo mais vivo, acentuado o apelo, visando confrontar os ouvintes com essa realidade.

6. Resumindo o que acontece com um homem que acaba de morrer (ll. 29-37), podemos dizer que, de forma insensível, as outras pessoas, incluindo a própria mulher, esquecem-no e procuram apoderar-se dos bens do defunto.

6.1. O uso do paralelismo sintático das orações que se iniciam pela forma verbal “come-o” e as suas variantes (ll. 30-37) permite dar conta das inúmeras pessoas que, de forma voraz, se procuram apoderar das posses de um homem que acaba de morrer; acentua, pois, a quantidade e a voracidade dos predadores.

7. Nas linhas 44-50, censura-se o sistema judicial: se um cidadão tiver assuntos a resolver em tribunal, verá que todos os agentes judiciais partciparão na dilapidação dos seus bens.

[…]

8.2. Nas linhas 76-78, a gradação (“multem”, “defraudem”, “comam, traguem e devorem”) dá conta do processo crescente e avassalador da exploração e da opressão dos mais fracos.

[…]

12. No fim deste capítulo, Santo António serve de exemplo porque não sofreu da ignorância e da vaidade dos outros e não caiu nos erros destes. Na verdade, em lugar de «ser pescado», foi ele que «pescou» vários fiéis para pôr no caminho da virtude.


[1] “açougue” – matança, carnificina.